Rádio em baixa frequência - por Luiz Henrique Freitas - 17/07/2021- 22h32
Jogadores do Galo comemoram virada sobre o Corínthians em SP
( foto: flickr Atlético )
Escutar jogo no rádio é legal. Para o jornalista é uma forma de se atualizar e entender como o veículo se reinventa diante do fortíssimo apelo televisivo. Nos últimos anos, as emissoras optaram por escalar locutores assumidamente torcedores e a narração perdeu brilho. Muitos querem ganhar o jogo no grito e cada lance é quase um gol. Só que a bola não entra e começa uma quase apelação. Para o bem do esporte, eles são minoria. A grande parte das equipes é competente e faz um bom trabalho. Algumas são divertidas e há boas iniciativas nas rádios web.
Na derrota do Cruzeiro para o Avaí por três a zero, nesta tarde no Mineirão, o time de locutores cruzeirenses de uma rádio da capital, errou a mão, xingou a direção do clube, os jogadores e “demitiu” o treinador, empobrecendo a cobertura. Outra emissora, um pouco menos abusiva, mas com o narrador-torcedor-alvinegro, se comportou melhor na vitória do Atlético em cima do Corinthians, em São Paulo. Apesar de não narrar a jogada completa ( os locutores do século passado faziam isso muito bem, narravam rapidamente a bola de pé em pé e ainda citavam os dribles, o que dava emoção ao ouvinte ), ele soltou o grito quando Hulk fez os gols da virada por dois a um. O treinador Cuca parece ter aprendido com 2013 e não perde o foco do Brasileirão. Naquele ano, ele se preocupou apenas com a Libertadores e deixou as outras competições de lado.
A impressão é de que o ouvinte e o amante do rádio vem perdendo em qualidade e isenção nas jornadas esportivas. Sinal dos tempos? Talvez, pois tudo muda e se transforma. A emoção de uma boa locução esportiva fez parte da vida de muitos torcedores. Houve um tempo em que ele levava o radinho de pilha que ficava grudado no ouvido durante os 90 minutos da bola rolando no gramado. Na hora do gol, o grito do locutor era o momento mágico que amplificava o sentimento do torcedor naqueles segundos de puro êxtase. Que saudade não?
( Crônica de livre compartilhamento )

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