O Triathlon e seus desafios - por Luiz Henrique Freitas - 17/10/2025 - 19h11
Andréa Guimarães no 70.3, em SP (fotos arquivo pessoal)
Provas longas e curtas motivam atletas do Tri
O Triathlon (ou Triatlo, em português) está crescendo rapidamente. Uma pesquisa recente do jornal Estado de Minas mostrou que o número de triatletas cresceu 62,4% no país. As assessorias esportivas abrem novas vagas e clubes já têm lista de espera.
O bom desempenho de atletas brasileiros tem contribuído para a divulgação e ampliação do esporte, que combina natação, ciclismo e corrida. E Belo Horizonte tem, sim, muitos atletas de destaque, que encaram desafios duríssimos, como as provas de Ironman, com 3,8km de natação, 180km de ciclismo e uma maratona de 42km ao final. Dá para imaginar isso?
Outra prova difícil é o 70.3, ou meio Iron, com percursos de 1,9km na água, 90km de bike e 21km de corrida. Também exige uma preparação física e mental espetacular. O Triathlon Olímpico tem distâncias mais educadas: 1,5 km de natação, 40km na bike e 10km de corrida. Há ainda outras provas com distâncias menores para os iniciantes se acostumarem e aguentarem o tranco. Quem entende do esporte aponta que, para encarar um desafio de Triathlon, é necessária uma preparação de 30 semanas.
Randal, começo na corrida até chegar na França
O médico Paulo Randal e a jornalista Andréa Guimarães são da equipe de triathlon do Minas Tênis Clube. Os treinos na piscina olímpica são realizados três vezes por semana. A corrida e o pedal eles encaixam em outros horários. E tem ainda a academia, para fortalecer a musculatura.
Em setembro, Paulo foi a Nice, na França, disputar o Campeonato Mundial de Ironman: “Em provas assim, você vê gente de todo o mundo, muitos profissionais e torcida. As pessoas ficam empolgadas. Eu fiquei na posição 103 entre 330 competidores, na minha faixa etária. No geral, entre 2.300 atletas, classifiquei em 687. Considero ter conseguido um resultado bem significativo.”
Para chegar lá foram cinco anos desde que Randal começou a treinar para o Triathlon: “Eu já corria e me interessei pelas três modalidades durante a pandemia. Eu pedalava em uma mountain bike. Resolvi fazer um simulado de natação, pedal e corrida. Gostei! Comprei uma bike speed e fiz minha primeira prova de triathlon no “Capixaba de Ferro”, no Espírito Santo.”
Como todo triatleta, Paulo Randal treina forte, seis ou sete dias por semana, variando pelo menos duas modalidades por dia. A parte nutricional é uma aliada: “Minha alimentação mudou demais. Eu era obeso e perdi 25 quilos com esporte e reeducação alimentar.”
Eu perguntei o que o motiva: “O Triathlon me ajudou muito na vida profissional. Em uma competição, você tem que tomar decisões rápidas e acertadas. Isso eu aplico no trabalho também.”
Andréa aproveita o melhor do Trathlon
A jornalista, Andréa Guimarães, é uma triatleta completa. Começou cedo: “Na adolescência eu fazia natação, spinning, corria na esteira e fazia musculação, ou seja, já era um tri, só que indoor.”
Como ponto positivo da prática do Triathlon, Andréa destaca: “ É um esporte que, tendo sabedoria e respeito pelo corpo, não te lesiona, porque divide os treinos em vários estímulos, como natação, bicicleta e a corrida.”
Guimarães é uma atleta disciplinada e também segue uma rotina forte de treinos. Antes e durante as provas, reforça a alimentação e respeita seus limites: “Me alimento muito bem, sempre com orientação de um nutricionista; tento descansar e dormir bem. Evito eventos sociais, evito “tacinhas” de vinho. E não forço o meu ritmo. Se estiver cansada, paro, respiro, caminho. Tudo da melhor forma prazerosa e feliz que conseguir. Sem pressão, já basta a vida.”
Em São Paulo, recentemente, Andréa fez o meio Ironman e completou a prova: “O resultado foi muito bom! Fiz meu melhor tempo na natação e avancei bastante na bike, alegria total!!”
Para quem planeja entrar para o Triathlon, os dois atletas recomendam começar aos poucos, ter disciplina, força de vontade e resiliência. Randal acrescenta: “Não dá para ficar bom em tudo de uma vez, Vá com calma e conseguirá!”
Quanto custa começar?
Muitos querem saber: Triathlon é um esporte caro? Se quiser gastar muito, tem opção, mas é possível investir pouco e começar de leve, como eu.
Uma roupa de borracha, para águas abertas, custa na faixa de R$ 600 reais. Touca e óculos de natação, saem a R$ 300. Uma bike speed, de entrada, vale de R$ 3 a 4 mil (pode ser usada). Um tênis de corrida de R$ 400 fecha a conta.
Dito isso, agora é com você! Bora?
-Pinta uma ansiedade? Como supera?
Toda largada, o coração dispara!!! Pode ser qualquer prova!! Claro, que com a rodagem você ganha mais segurança e tranquilidade, mas a adrenalina na hora que escuta o soar da buzina da largada não tem como ignorar. Daí, é respirar fundo controlar e entrar na água. Depois das primeiras braçadas a mente se organiza. Mas é um trabalho mental constante: calma!! Respira!!! Não adianta acelerar no começo vai morrer no final! Segura!!! E por aí seguimos até sair da água e dar o primeiro suspiro.... Porque ainda tem mais 2 suspiros pela frente !!!
-Das três modalidades, se dá melhor em uma, ou leva de boa as três?
Como vim da corrida, sempre tive mais facilidade, mas nunca tive medo da natação porque nado desde os 7 anos. E com os treinos diários melhorei muito na corrida. A bike é meu Calcanhar de Aquiles. As pessoas acham que é: “nossa adoro andar de bike, vou fazer Triathlon”. Ledo engano, é a modalidade mais técnica e que faz a diferença nas provas. A bike do tri não é igual andar na pracinha, dar uma voltinha na rua. Na minha opinião é a mais complexa. Até porque em BH não temos espaço para treinar na rua com segurança. Então é a modalidade que menos treino e por sinal sou pior. Mas devagar chego lá!
-No começo da caminhada, muitos atletas experimentam o pânico 😱 ao nadar em águas abertas. Já passou por isso? Como venceu essa etapa?
Realmente a água aberta requer muito respeito. E pelo menos 1x ao mês a pessoa precisa encontrar um local para fazer o seu treino. A minha primeira prova no mar, foi na praia do Recreio, RJ, em 2018, mar bravo e muita onda. Respirei fundo e não pensei muito, dada a largada só fui. Nessa hora, você precisa ter força para segurar as braçadas nas ondas e coragem de pensar de vencer boia a boia de sinalização. Nesse momento, a pessoa precisa pensar que tem apoio e segurança e qualquer coisa é só gritar e pedir ajuda, não tem porque se desesperar. E quando vai contando “venci uma boia, pronto”, vamos para outra e depois outra.... o tempo passa rapidinho e o primeiro suspiro chega logo. Dai você pensa, pronto o pior passou!!! Agora vamos começar a prova feliz da vida!!! Vencer a água aberta já é uma vitória!!! Seja mar bravo, com ondas ou rio, represa com água turva.
A Maratona de Paulo Randal, domingo, nos EUA ( 12/10)
" Ontem fiz minha primeira maratona Major em Chicago. Muita gente ( cerca de 53 mil pessoas ), muita torcida e
organização. Cidade bonita demais, mas que não deu para observar e curtir tudo pois força do começo ao fim.
Muita alegria no começo para depois sentir muito… Corpo queria parar, mas depois do km 30. Consegui manter o foco e completei com um recorde pessoal. Baixei 4’45” da ultima maratona .”








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