Rebel boys dizem SIM à Copa América

 


                                             Seleção chega ao Paraguai para a partida desta noite
                                             ( foto flickr CBF)

                                              

por Luiz Henrique Freitas

08/06/2021 - 12h45

Foi só um lampejo de rebeldia dos meninos-homens ou dos homens-meninos da nossa Seleção. Nos bastidores, alguns não aceitaram a mudança de sede da Copa América para o Brasil e criou-se um clima raro na delegação brasileira. Em algum momento, parecia mesmo que eles iriam bancar uma decisão que entraria para a história. Todos se questionavam se o elenco teria formação e nível político suficientes para bancar uma decisão desse porte. Claro que a resposta é não. Em suas trajetórias de sucesso, questionar decisões da CBF, Fifa e de governos passa longe e é coisa rara.

Ficou mau para o capitão Casemiro, que insinuou, na sexta passada, ter o grupo fechado e unânime em não jogar e agora terá que dizer que o time “amarelou”, para usar a cor da camisa canarinho. O grupo vai divulgar um manifesto após a partida desta noite contra o Paraguai, em Assunção, pelas Eliminatórias. Ao decidir jogar, eles aceitam as regras, cumprem os contratos e garantem a competição, apesar de tudo, dando um bom exemplo às crianças, especialmente. 

O governo e a CBF, envolta em má gestão há décadas, se movimentaram. O presidente da Confederação, Rogério Cabloco, foi afastado por 30 dias sob denúncia de assédio sexual por uma funcionária. Por que não foi desligado antes? O nome de Renato Gaúcho apareceu para o lugar de Tite, caso ele saísse ou fosse demitido, o que seria um absurdo e confirmaria ingerência política. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, chegou a dizer que Tite poderia ir treinar o Cuiabá. Quanta honra! Não que eu seja um defensor do trabalho de Tite na Seleção. Não sou e acho que tem treinadores melhores. Mas a um ano e meio da Copa do Mundo, seria burrice trocar o técnico e um trabalho que vem dando resultado. Os patrocinadores ficaram preocupados com a imagem do time depois do imbróglio de sexta e querem que tudo saia bem para que o Brasil seja novamente campeão mundial. É o que todo torcedor quer também.

Alguns comentaristas pegaram pesado. O ex-jogador e comentarista da ex-poderosa mas ainda forte TV Globo, disse que os jogadores são “ covardes “ por mudar de posição. Claro que exagerou na dose e arrumou 24 inimigos mais a comissão técnica. Os que são a favor, se perguntavam: por que não realizar a Copa América no Brasil já que o país tem a disputa de quatro séries do Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores? E tem a Eurocopa do outro lado do mundo. Com as medidas de segurança, segue o fluxo... O humorista e ex-vice presidente do Flamengo, Antônio Tabet,  preferiu levar na gozação. No site da Folha.uol, ele ensaiou como deve ser o manifesto de hoje à noite: “ a) publicarão uma hashtag ousada nos perfis das redes socias; b) entrarão em campo com o mesmo corte de cabelo revoltado; c) farão uma dancinha-protesto no TikTok.” 

O Ministério da Saúde foi rápido e eficiente desta vez. Já divulgou os protocolos da competição. Não haverá festas. Os jogadores ficarão nos hotéis e só sairão para os  jogos e treinos. Os testes serão a cada 48 horas. Essa rapidez é o que se espera em toda a política de saúde pública do país. Enfim, a realização da Copa América foi uma vitória do presidente Bolsonaro. Se o Brasil for o campeão, melhor ainda, pois ele estará ao lado dos “ rebel boys “ ( nem tanto assim ) quando o capitão erguer a taça. Mas tem que combinar com os argentinos, uruguaios, chilenos ou outra equipe que surpreender.

* Rebel boys - meninos rebeldes ( tradução livre do inglês )

 ( Crônica de livre compartilhamento )


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