Imbróglio na Copa América
por Luiz Henrique Freitas
05/06/2021 - 11h55
A Seleção Brasileira vai jogar a Copa América? Será o elenco principal? Jogará sob protesto? São perguntas que devem ser respondidas pelos atletas na terça, após o jogo contra o Paraguai, em Assunção, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Com a vitória de 2 x 0 sobre o Equador, nessa sexta, o Brasil mantém a liderança na disputa.
O clima na Seleção está carregado. Para entender um pouco os motivos, vamos aos fatos. Na segunda-feira passada, em uma decisão rápida, após um pedido da Conmebol para o país receber a Copa América depois da recusa de Argentina e Colômbia, sedes originais, e de outros países, o governo brasileiro e a CBF foram rápidos e disseram SIM, apesar da grave crise sanitária que o país enfrenta. Para especialistas, mais um torneio internacional pode ser a porta de entrada para variantes e disseminação do novo coronavírus. A chinesa Sinovac doou 50 mil doses da vacina para atletas e todos os envolvidos na competição. Mas há dificuldades a serem vencidas. Por exemplo, no Brasil o plano não pode ser realizado. Pela lei vigente, qualquer vacina que entre no país é confiscada para ser usada pelo SUS, no Plano Nacional de Imunização.
A decisão imediata em aceitar a Copa América com abertura no domingo, 13 de junho ( o país tem estrutura e expertise para realizar a competição em tempo recorde ), surpreendeu a todos. Muitos comemoraram, mas também houve protestos. Os mais relevantes vieram dos protagonistas: os atletas. O uruguaio Luis Suárez foi um dos primeiros a se pronunciar contra a mudança abrupta. O gênio argentino Messi também estaria insatisfeito. Em seguida, o craque brasileiro Neymar engrossou o coro e teria feito contato com outros jogadores para que seguissem a mesma linha.
O presidente da CBF, Rogério Caboclo, que está no centro das discussões, esteve no vestiário e também foi ao gramado na partida de ontem para tentar contornar a crise na Seleção, mas não conseguiu. O capitão, Casemiro, disse que vê uma posição "unânime" dos jogadores sobre a Copa América mas não revelou qual. Tensão altíssima no ar.
Se os jogadores pedirem dispensa, e eles podem fazer isso, a CBF deve convocar novos atletas e colocar em campo outro técnico, caso Tite deixe o comando, o que eu acho difícil. Jogadores de outras seleções podem seguir o mesmo caminho. Substitutos serão convocados já que os prêmios são milionários. Cada seleção recebe R$ 23 milhões para participar. O campeão leva mais R$ 57 milhões. É muito dinheiro que atrai atletas não tão reconhecidos internacionalmente e que veem a Copa América como uma janela de oportunidades.
O Brasil já tem a seleção principal convocada para as eliminatórias e a seleção olímpica, que estreia no dia 22 de julho contra a Alemanha, nos jogos de Tóquio. Este time tem Guga e Guilherme Arana, do Galo. Se vier uma nova convocação, outros podem ir. O América também tem bons jogadores que podem aparecer na lista. Tudo vai depender da posição de Neymar e Cia que será anunciada na terça. Será um boicote geral? De alguns? Jogarão sob protesto, com tarja preta no braço e faixas com números de vítimas da Covid? A imprensa internacional e o mundo do futebol aguardam, com ansiedade, esse movimento que definirá os rumos da disputa e que já entrou para a história da Copa América.
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Excelente abordagem!
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